O relato de Han

Apesar de ter sido avô há pouco tempo pela segunda vez, nunca me senti velho para a idade. A realidade abateu-se sobre mim na noite em que descobri que tinha perdas de urina. ”

Apesar de ter sido avô há pouco tempo pela segunda vez, nunca me senti velho para a idade. Até que a realidade se abateu sobre mim na noite em que descobri que tinha perdas de urina.

Foi muito mau, mas a princípio não o queria admitir, nem sequer para mim próprio. Pensei que fosse "apenas um problema temporário com a canalização", ou então "por causa do tempo frio". Mas o problema não desapareceu, nem quando o tempo ficou mais quente.

Seria aquela a forma que o meu corpo tinha arranjado para me dizer que estava a ficar velho? Tinha o orgulho ferido e, de alguma forma, sentia-me menos homem.

Até comecei a usar os pensos higiénicos da minha mulher, mas não era coisa que resultasse muito bem, e o odor continuava. Nem na minha mulher confiei, mas ela devia andar desconfiada. Estava constantemente a declinar convites sociais e a correr para a casa de banho.

Pouco depois, sair de casa causava-me desconforto. Talvez tivesse ajudado falar com alguém, mas com quem? E como podia abordar uma questão destas?

Até que me decidi que era demais, e resolvi voltar a ter controlo sobre a minha vida. Fiz algumas pesquisas na Internet e fiquei surpreendido ao ver como o meu problema era comum.  Senti-me bem por saber que não estava sozinho.

A seguir, fui ao médico. Ele garantiu-me que eu podia continuar a levar uma vida normal. Recomendou-me uma protecção com controlo de odores, fez algumas sugestões para a minha dieta e falou-me dos exercícios para o pavimento pélvico.

Segui os seus conselhos e estou a começar a ver os resultados. Não foi muito inteligente da minha parte guardar tudo para mim. Uma coisa que aprendi com tudo isto foi que não há necessidade de deixar que a incontinência tome conta da nossa vida.