A mulher e a incontinência urinária

Considera-se de uma maneira geral que entre 10-12% das mulheres sofrem regularmente de incontinência urinária. Estima-se que em Portugal 16% das mulheres que sofrem de incontinência tem menos de 35 anos. No entanto, as perdas de urina afectam as mulheres em qualquer idade ao longo da vida, nomeadamente durante a gravidez, após o parto e na menopausa. Também as grandes desportistas podem sofrer de incontinência.

 A forma mais comum de incontinência urinária na mulher é a incontinência urinária de esforço, seguida da incontinência de urgência. Contudo, muitas mulheres sofrem de incontinência mista que combina sintomas de incontinência de esforço e de urgência.

ANÁLISE DE DIAGNÓSTICO

Quando uma mulher se queixa de sintomas de incontinência urinária é importante excluir outras patologias antes de lhe ser diagnosticado o tipo de incontinência. É essencial estudar o historial médico incluindo qualquer lesão na cabeça, no pescoço ou nas costas ou outras condições relevantes como sejam a diabetes, existência de actividade desportiva constante, paridade, historial familiar, análise dos sintomas urinários e exames físicos.

A análise dos sintomas inclui episódios verificados e a natureza da incontinência. Deve ser sempre efectuada uma análise urinária para verificar a possibilidade de existência de infecção na bexiga ou no tracto urinário e para excluir hematúria. Se viável, a utente deverá preencher um registo diário com a indicação da hora e da quantidade de urina, volume e natureza dos líquidos ingeridos.

O exame físico deve excluir obstipação intestinal, prolapso, massas de tumores, fístulas e lesões derivadas de gravidez, parto, ou anteriores cirurgias ou ferimentos. Deve ser efectuada uma avaliação dos sintomas neurológicos e da saúde mental em caso de trauma na cabeça, esclerose múltipla, doença de Parkinson, Alzheimer, etc.

Finalmente, pode ser feita uma avaliação da qualidade de vida, mobilidade e acesso à casa de banho, para determinar a necessidade de tratamento.

INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO

No caso da incontinência urinária de esforço, a utente queixa-se de perder urina quando faz um esforço (espirrar, rir, pegar em cargas pesadas ou tossir). A quantidade poderá ser pequena, mas por vezes pode ser significativa.É o tipo de incontinência mais frequente, geralmente decorrente de momentos de gravidez ou menopausa, e por tal, afectando mais particularmente as mulheres.

ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO

Estilo de vida

Rever o estilo de vida quanto à ingestão de alimentos e de líquidos, redução do peso e redução ou cessação do consumo de tabaco. As pessoas com excesso de peso têm uma maior tendência para a incontinência de esforço, devido à maior pressão abdominal. Os fumadores tossem mais, o que pode resultar numa maior incidência de perdas de urina.

  • Não beber líquidos demasiado nem insuficientemente. Reduzir a ingestão de líquidos para diminuir a urina pode produzir uma maior irritação da bexiga e promover uma infecção.
  • Evitar a cafeína e bebidas gaseificadas, que podem irritar a bexiga, bem como bebidas alcoólicas.
  • Rever a medicação actual quanto à interacção ou efeitos iatrogénicos.

Exercícios para os músculos do pavimento pélvico

A primeira forma de reduzir ou eliminar a incontinência de esforço é a execução de exercícios para os músculos do pavimento pélvico, para melhorar o suporte da bexiga e a pressão de fecho da uretra. Consultar um fisioterapeuta é a forma mais eficaz de assegurar que os exercícios estão a ser feitos correctamente e assim ter as maiores probabilidades de sucesso. O exame físico irá ajudar a determinar o estado dos músculos do pavimento pélvico e assim permitir ao fisioterapeuta aconselhar um regime de exercício personalizado.

O biofeedback e a electro-estimulação ajudam na execução de exercícios para os músculos do pavimento pélvico, tanto para o homem como para a mulher, e idealmente devem ser recomendados por um fisioterapeuta ou um especialista no tratamento da incontinência.

Dispositivos médicos

Os produtos absorventes para a incontinência, concebidos especificamente para a incontinência urinária são os produtos mais populares entre os utentes para protecção de perda de urina. Existem produtos descartáveis e reutilizáveis e, embora nem todos os produtos sejam semelhantes, muitos são desenvolvidos segundo um padrão tecnológico elevado e proporcionam ao utilizador flexibilidade e facilidade de utilização. O utente pode utilizar diferentes tipos de pensos ou cuecas, conforme as suas necessidades diárias. Existem pensos e cuecas desenvolvidos para fins específicos, que podem ser finos e discretos para utilização durante o dia, ou suficientemente substanciais para conter uma perda de urina maior. Um especialista no tratamento ou cuidados de incontinência pode dar uma melhor orientação sobre o que utilizar.

Podem também ser utilizados outros produtos para a recolha de urina e para inibir o fluxo da urina, de modo a conter a perda em determinadas circunstâncias. Podem ser utilizados cateteres como uma medida temporária após uma cirurgia ou como solução a longo prazo. Os cateteres podem ser intermitentes ou alojados no interior e estão ligados a um saco de drenagem fixado à pessoa ou a uma válvula que permite que o cateter seja esvaziado regularmente para um recipiente. Os cateteres interiores suprapúbicos podem ser introduzidos cirurgicamente através do abdómen, em vez de através da uretra. Os utentes ou os prestadores de cuidados podem ser treinados para os mudar e limpar.

Intervenções farmacológicas e cirúrgicas (sob certas circunstâncias)

Intervenção farmacológica

Existem disponíveis novos agentes que ajudam na incontinência de esforço. São designados por inibidores duplos da recaptação da noradrenalina/serotonina e estão disponíveis em alguns mercados europeus. Estudos sugerem que os melhores resultados são obtidos se estes forem utilizados em associação com exercícios para os músculos do pavimento pélvico.

Intervenção cirúrgica

Um urologista ou uroginecologista pode aconselhar sobre todos os processos cirúrgicos existentes para a incontinência urinária de esforço. Existem processos cirúrgicos com incisão aberta e processos ambulatórios ou a utilização de agentes dilatadores. Para a maioria dos utentes, a cirurgia para a incontinência de esforço deve ser considerada um cuidado terciário, depois das intervenções conservadoras e farmacológicas não terem produzido o resultado desejado.

INCONTINÊNCIA DE URGÊNCIA

A incontinência de urgência ou bexiga hiperactiva refere-se à hiperactividade do músculo detrusor da bexiga, que produz uma vontade súbita para urinar, praticamente sem aviso, muitas vezes acompanhada de perda de urina. Nos casos mais severos, o volume da perda de urina pode ser grande. Pode também ocorrer a necessidade de urinar muito frequentemente (mais de oito vezes por dia) e noctúria (uma vez ou mais por noite).

ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO

Estilo de vida

Tornar o acesso ao WC tão fácil quanto possível. Isto pode requerer adaptações especiais do local onde o utente vive. Uma elevação do assento da sanita, barras de apoio para as mãos ou uma cadeira sanitária no quarto podem ajudar o utente, assim como roupas fáceis de abrir, se a destreza manual for um problema.

Treino da bexiga ou vesical

O treino vesical é uma técnica comportamental que visa aumentar a capacidade da bexiga e diminuir a frequência de urinar. Com o tempo, a bexiga torna-se menos irritável e consegue conter um maior volume de urina. Um diário da urina é o primeiro passo para a avaliação da incontinência de urgência e definir um programa de treino vesical ou da bexiga.

Exercícios para os músculos do pavimento pélvico

Os exercícios para os músculos do pavimento pélvico têm um grande sucesso na incontinência de esforço e na incontinência mista, mas também podem ser úteis para quem tem incontinência de urgência, para reforçar os músculos e minimizar ou eliminar as perdas de urina. O biofeedback e a electro-estimulação ajudam na execução de exercícios para os músculos do pavimento pélvico e idealmente devem ser recomendados por um fisioterapeuta ou um profissional em incontinência.

Dispositivos médicos

Algumas mulheres perdem urina involuntariamente de repente e optam por usar um produto absorvente para a incontinência quando estão em situações de maior risco. Existem vários estilos e formas de pensos e cuecas adequados para diferentes quantidades de perda de urina. Existem produtos descartáveis e reutilizáveis, e um especialista no tratamento ou cuidados de incontinência pode ajudar na escolha da protecção mais apropriada para absorver urina, em substituição de um penso higiénico concebido para absorver sangue.

Podem também ser utilizados outros produtos para a recolha de urina e inibir o fluxo de urina em determinadas circunstâncias. Podem ser utilizados cateteres como uma medida temporária após uma cirurgia ou como solução a longo prazo. Os cateteres podem ser intermitentes ou alojados no interior e estão ligados a um saco de drenagem fixado à pessoa ou a uma válvula que permite que o cateter seja esvaziado regularmente para um recipiente. Os cateteres interiores suprapúbicos podem ser introduzidos cirurgicamente através do abdómen, em vez de através da uretra. Os utentes ou os prestadores de cuidados podem ser treinados para os mudar e limpar.

Intervenções farmacológicas e cirúrgicas (sob certas circunstâncias)

Podem ser prescritos antimuscarínicos e anticolinérgicos para a hiperactividade do músculo detrusor. Uma intervenção cirúrgica para a incontinência de urgência sem sintomas de incontinência de esforço é rara.

INCONTINÊNCIA MISTA

No caso da incontinência mista, os sintomas da incontinência urinária de esforço coexistem com os da incontinência de urgência. As directrizes mais recentes do Comité Internacional de Incontinência recomendam que o sintoma predominante seja tratado primeiro.

OUTRAS FORMAS DE INCONTINÊNCIA

Existem outras formas de incontinência que poderão não se enquadrar numa destas categorias.

  • Incontinência ao rir: Uma forma de incontinência que geralmente se verifica entre os jovens, mas que pode continuar até à idade adulta. Perda de urina desencadeada pelo riso, resultante de músculos detrusores instáveis, e pode ser hereditário.
  • Incontinência funcional: Impossibilidade de chegar ao WC para urinar, devido a incapacidade (física ou mental) ou enfermidade.