A resposta mais rigorosa é que ainda existem muitas incógnitas.
Os hipopressivos têm sido estudados em relação a variáveis como a musculatura abdominal, o pavimento pélvico, a postura, a mobilidade lombar, a respiração ou o perímetro da cintura.
Alguns estudos encontraram alterações favoráveis, mas isso não permite afirmar que todos os benefícios habitualmente associados à técnica estejam demonstrados.
Uma revisão sistemática publicada em 2024 sobre pessoas saudáveis encontrou resultados potencialmente favoráveis em algumas variáveis, incluindo o perímetro da cintura e determinados parâmetros musculares e respiratórios. No entanto, os autores consideraram que a evidência era demasiado limitada e apresentava problemas metodológicos importantes para recomendar a técnica com base nestes efeitos.
Outra revisão sistemática publicada em 2025 encontrou possíveis melhorias em diferentes componentes do core, mas 12 dos 13 estudos incluídos apresentavam um elevado risco de viés. Os autores concluíram que é necessária investigação de maior qualidade para confirmar estes resultados.
Os hipopressivos reduzem a cintura?
É possível que determinados programas de exercício produzam pequenas alterações no perímetro abdominal.
O que não é sustentado pela evidência é a afirmação de que fazer hipopressivos permite «perder dois tamanhos de cintura» como efeito esperado, nem que isso aconteça porque «ativa o metabolismo».
A redução da gordura corporal depende fundamentalmente do equilíbrio energético, da alimentação, da atividade física e de outros fatores metabólicos e de saúde.
Uma alteração no perímetro da cintura após determinados exercícios também não significa necessariamente que tenha ocorrido uma redução significativa da gordura abdominal.
Aumentam a capacidade pulmonar ou previnem lesões?
Também têm sido estudadas variáveis respiratórias, posturais e relacionadas com a mobilidade, com alguns resultados interessantes.
Mas a investigação atual não permite transformar estes resultados em afirmações gerais de que os hipopressivos «aumentam a capacidade pulmonar», corrigem problemas posturais ou evitam lesões em qualquer pessoa.
Podem fazer parte de um programa de exercício, mas não substituem um tratamento específico quando existe uma lesão, dor lombar persistente ou um problema respiratório.