BEXIGA HIPERATIVA NOS HOMENS: SINTOMAS, CAUSAS E TRATAMENTO

A nos homens caracteriza-se principalmente por uma necessidade súbita e difícil de adiar de urinar, que pode ser acompanhada por maior frequência urinária, nictúria e, por vezes, perdas de urina. Conhecer os seus sintomas e possíveis causas permite avaliar corretamente o problema e encontrar o tratamento mais adequado.


Começou a procurar uma casa de banho assim que chega a um local novo? Interrompe uma reunião porque precisa de urinar ou acorda várias vezes durante a noite para ir à casa de banho? Quando estas situações se repetem, pode existir um problema urinário que merece ser avaliado.

A nos homens está sobretudo relacionada com a urgência: uma necessidade súbita de urinar que é difícil de adiar. Costuma ser acompanhada por um aumento da frequência urinária durante o dia e por nictúria, podendo ocorrer com ou sem urinária de urgência.

Estes sintomas podem afetar o sono, o trabalho, as viagens, o exercício ou a vida social. No entanto, ter mais vontade de urinar não permite, por si só, saber o que está a provocar o problema. Nos homens, além da própria bexiga, podem estar envolvidos a , determinados hábitos, doenças metabólicas ou neurológicas, infeções e outros problemas do trato urinário.

O QUE É A BEXIGA HIPERATIVA E QUAIS SÃO OS SEUS SINTOMAS?

A é definida clinicamente com base nos sintomas. O principal é a urgência urinária, normalmente acompanhada por um aumento da frequência e nictúria, com ou sem de urgência, quando não existe uma infeção urinária ou outra doença que explique melhor estes sintomas.

Não é exatamente o mesmo que ter incontinência. Um homem pode sentir urgência e ter de ir muitas vezes à casa de banho sem sofrer qualquer perda. Noutros casos, a vontade surge tão rapidamente que é difícil chegar à casa de banho a tempo.

Os sintomas mais frequentes

Os sintomas que podem surgir incluem:

  • necessidade súbita e difícil de adiar de urinar;
  • aumento da frequência urinária durante o dia;
  • necessidade de acordar durante a noite para urinar;
  • perdas involuntárias associadas a uma necessidade urgente de urinar.

A bexiga hiperativa faz parte dos chamados sintomas do trato urinário inferior (STUI). Estes dividem-se habitualmente em sintomas de armazenamento, esvaziamento e pós-miccionais. A urgência, a frequência e a nictúria são sintomas de armazenamento.

Um jato urinário fraco, ter de fazer esforço para urinar ou demorar a começar correspondem, por sua vez, a sintomas de esvaziamento. Já o gotejamento depois de terminar de urinar é um sintoma pós-miccional.

Esta distinção é importante porque sintomas diferentes podem ter causas distintas.

BEXIGA HIPERATIVA E PRÓSTATA: QUAL É A RELAÇÃO?

Ter e aumentada não é a mesma coisa, embora ambos os problemas possam coexistir.

A hiperplasia benigna da próstata é um crescimento não canceroso da próstata associado ao envelhecimento. Em alguns homens, este crescimento pode contribuir para obstruir a saída da bexiga e provocar sintomas urinários. No entanto, o tamanho da próstata e a intensidade dos sintomas nem sempre estão diretamente relacionados.

As orientações atuais salientam que os sintomas urinários masculinos podem ter diferentes origens e que, tradicionalmente, têm sido excessivamente atribuídos à obstrução prostática.

Quando existem sintomas da bexiga e da próstata

Alguns homens apresentam simultaneamente sintomas de armazenamento, como urgência e frequência, e sintomas de esvaziamento, como jato urinário fraco ou dificuldade em começar a urinar.

Nestas situações, o profissional de saúde pode avaliar até que ponto existe uma obstrução relacionada com uma HBP e qual poderá ser o contributo da bexiga. A avaliação pode incluir a intensidade dos sintomas, a medição do resíduo de urina após a , o fluxo urinário e, quando indicado, a avaliação da próstata.

Por isso, sentir vontade constante de urinar não significa automaticamente que tenha a próstata aumentada.

Que outras causas podem provocar sintomas semelhantes?

Antes de se falar de bexiga hiperativa idiopática, é necessário avaliar outros problemas que podem provocar ou agravar os sintomas.

Entre eles encontram-se as infeções urinárias, determinadas doenças neurológicas, a diabetes e algumas alterações da própria bexiga. O consumo de líquidos e cafeína, determinados medicamentos e outras condições médicas também podem influenciar os sintomas urinários.

Por este motivo, se os sintomas surgirem de repente, piorarem ou começarem a condicionar a sua vida quotidiana, é preferível averiguar a sua causa em vez de assumir que fazem parte da idade. 

COMO SE DIAGNOSTICA E TRATA A BEXIGA HIPERATIVA NOS HOMENS?

A avaliação começa habitualmente pela história clínica. O profissional de saúde irá perguntar sobre a urgência, frequência, perdas de urina, nictúria e possíveis dificuldades em esvaziar a bexiga, além de analisar doenças anteriores, intervenções cirúrgicas, hábitos e medicamentos.

Uma análise à urina pode ajudar a detetar situações como infeção, sangue na urina ou glicose. Dependendo dos sintomas e de cada caso, também podem ser realizados outros exames.

Um diário miccional pode fornecer informações

Registar durante vários dias a que horas bebe, quanto urina, quando surge a urgência e se ocorrem perdas permite obter uma imagem mais precisa do funcionamento da sua bexiga.

As orientações europeias recomendam os registos de frequência e volume e os diários miccionais como ferramentas para avaliar os sintomas urinários masculinos; um registo de, pelo menos, três dias pode fornecer informações fiáveis.

Alterações de hábitos e treino vesical

O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas. As intervenções comportamentais podem fazer parte da abordagem inicial.

O treino vesical procura aumentar progressivamente o intervalo entre as idas à casa de banho e melhorar o controlo da urgência. Também pode ser útil rever a quantidade e a distribuição dos líquidos e observar se a cafeína ou o álcool agravam os sintomas.

Isto não significa deixar de beber para evitar ir à casa de banho. Uma restrição excessiva de líquidos pode ter efeitos contraproducentes. As alterações devem ser adaptadas às circunstâncias de cada pessoa.

O trabalho do pavimento pélvico pode ser utilizado em determinados pacientes, especialmente como parte de estratégias para controlar a urgência ou quando existem perdas de urina. No entanto, os exercícios devem ser adequados ao tipo de problema urinário e não substituem uma avaliação adequada da sua causa.

Existem medicamentos para a ?

Sim. Quando as medidas conservadoras não proporcionam alívio suficiente ou os sintomas têm um impacto significativo, o profissional de saúde pode considerar o tratamento farmacológico.

Entre as opções utilizadas para os sintomas de armazenamento encontram-se os medicamentos antimuscarínicos e os agonistas beta-3. Nos homens que também apresentam HBP, podem ser consideradas diferentes estratégias farmacológicas ou combinações, em função dos sintomas e das características do paciente.

Estes tratamentos requerem avaliação médica. Por exemplo, antes de utilizar determinados medicamentos, pode ser importante verificar a quantidade de urina residual que permanece na bexiga depois de urinar.

Quando os tratamentos iniciais não funcionam, existem outras opções especializadas que o urologista pode avaliar de acordo com o diagnóstico e as preferências do paciente.

NÃO DEIXE QUE A URGÊNCIA URINÁRIA DECIDA OS SEUS PLANOS

Adaptar continuamente as suas atividades para ter sempre uma casa de banho por perto pode acabar por condicionar a sua vida mais do que parece. Se a nos homens afetar o sono, o trabalho, as viagens, o exercício ou a vida social, vale a pena falar sobre o assunto com um profissional de saúde.

Consulte também um profissional de saúde se tiver sangue na urina, dor ou ardor ao urinar, infeções urinárias recorrentes, dificuldade significativa em esvaziar a bexiga ou uma alteração súbita dos seus hábitos urinários.

Enquanto a causa é investigada ou tratada, se a urgência provocar perdas de urina, os produtos absorventes especificamente concebidos para a anatomia masculina podem proporcionar proteção e discrição no dia a dia. São uma ferramenta para gerir as perdas, mas não substituem o diagnóstico nem o tratamento dos sintomas que as provocam. As orientações europeias contemplam os produtos absorventes como uma opção de contenção para a masculina.

A urgência ou as perdas de urina estão a fazer com que altere os seus planos? Conhecer o que está a provocar os seus sintomas é o primeiro passo para encontrar as opções de gestão que melhor se adaptam a si.

PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE A BEXIGA HIPERATIVA

O sintoma característico é uma necessidade súbita e difícil de adiar de urinar. Pode ser acompanhada por um aumento da frequência urinária, nictúria e perdas associadas à urgência. No entanto, outras doenças podem provocar sintomas semelhantes, pelo que o diagnóstico requer a exclusão de outras possíveis causas.

Não necessariamente. A hiperplasia benigna da e a são problemas diferentes, embora possam coexistir. Quando um homem apresenta sintomas de ambos os tipos, a avaliação deve determinar o possível contributo de uma obstrução prostática e do funcionamento da bexiga.

O tratamento depende da causa. O treino vesical, a revisão dos hábitos de ingestão de líquidos e determinadas estratégias para controlar a urgência podem fazer parte do tratamento conservador. Se não forem suficientes, existem opções farmacológicas e outros tratamentos que devem ser avaliados por um profissional de saúde.

Não. A urgência é o principal sintoma e pode ocorrer com ou sem urinária de urgência. Algumas pessoas conseguem chegar à casa de banho a tempo, apesar de sentirem uma necessidade intensa e frequente de urinar.

É aconselhável consultar um médico quando a urgência, a frequência ou as perdas são persistentes, pioram ou afetam as suas atividades ou o descanso. A presença de sangue na urina, dor, infeções recorrentes ou dificuldade significativa em urinar também requer avaliação médica.

Leia mais sobre saúde masculina

  • Cameron, A. P., Chung, D. E., Dielubanza, E. J., et al. / AUA/SUFU. (2024). The AUA/SUFU Guideline on the Diagnosis and Treatment of Idiopathic Overactive Bladder. American Urological Association. Ler mais
  • European Association of Urology. (2026). EAU Guidelines on the Management of Non-neurogenic Male Lower Urinary Tract Symptoms (LUTS). Uroweb. Ler mais
  • European Association of Urology. (2026). EAU Guidelines on the Management of Non-neurogenic Male LUTS – Diagnostic Evaluation. Uroweb. Ler mais
  • European Association of Urology. (2026). EAU Guidelines on the Management of Non-neurogenic Male LUTS – Disease Management. Uroweb. Ler mais
  • Helman, T. A., & Browne, B. M. (2024). Advances in outpatient therapies and treatment of benign prostatic hyperplasia: A comprehensive review for men’s health. Medical Clinics of North America, 108(5), 981–991. Ler mais


 

Aviso importante:

A informação contida neste artigo tem carácter informativo e não substitui, em caso algum, nem o diagnóstico, nem o tratamento médico. Perante qualquer sintoma ou dúvida relacionada com a urinária, consulte sempre o seu médico ou profissional de saúde. As fontes médicas consultadas para a elaboração deste conteúdo não prescrevem, nem recomendam, nenhum produto.